Em sua fase arqueológica Foucault investiga sobre os saberes na sociedade, analisando como as formações discursivas possibilitam o conhecimento. Seu instrumental de investigação apresentado é a Análise dos Discursos que ele batiza de Arqueologia. Trata-se de uma análise de como nos constituímos sujeitos do conhecimento (ser-saber). O sujeito pode ser assujeitado a alguém ou preso a sua própria identidade. O sujeito moderno não produz saberes, mas é um produto destes. Foucault investiga os discursos e suas descontinuidades para mostrar como as formas de poder emergem e como saber e poder se combinam no sujeito através do discurso (esse discurso gera tensões). O poder cria saberes e não apenas controla os indivíduos. Na verdade o poder não existe, o que existe são práticas ou relações de poder que são justificadas pelos discursos.
Na Arqueologia do saber o discurso é analisado na sua dispersão. O discurso não é sistemático como a ciência, seus elementos são dispersos, pois são constituídos com objetivos pragmáticos, ou seja, que usa a língua como forma específica de comunicação social interconectada com outras atividades não lingüísticas. “ A análise arqueológica busca, também, as articulações entre as práticas discursivas e toda a outra ordem de coisas que se pode chamar de práticas não discursivas (...)” (VEIGA-NETO, 1995, p.48).
A arqueologia não pretende reunir elementos da memória coletiva, é contrário às sínteses históricas e às continuidades das grandes descrições históricas pois as construções históricas são passiveis de mudança. “(...) o filósofo se identifica com o pensamento pós-moderno, em que se enfraqueceram sobremaneira as tentativas de totalização, na medida em que a própria noção de totalidade foi abandonada”. (VEIGA-NETO, 1995, p.18). Foucault Desconstrói a ideia de uma obra total, fazendo-se favorável à pesquisa de fragmentos contidos em determinados discursos. Dessa forma o “método” de Foucault se fundamenta em descontinuidades, ele rompe a lógica, as diferenças e as dispersões para tentar recuperar a episteme do passado. A lógica dos saberes não é estável; as lógicas são quebradas e adquirem novos sentidos, produzindo novos saberes. A descontinuidade arqueológica não é a negação do problema do sujeito e nem a recusa da história, mas o questionamento de uma história do sujeito. Foucault demonstra que, antes dos discursos, o sujeito é apenas uma posição ocupada por aquele que enuncia algo (uma função do discurso). Para Foucault uma perspectiva linear, portanto, é incapaz de apreender a natureza do problema que interessa: as múltiplas rupturas, continuidades e descontinuidades do processo histórico. Ao rejeitar a linearidade das mudanças históricas, ele evidencia as transformações discursivas que possibilitam novas regras de enunciação. A arqueologia mostra que as condições de possibilidade de uma determinada história (concebida no nas transformações discursivas) não dependem de um sujeito.
O termo a priori histórico, que Foucault utiliza em Arqueologia do Saber, não pretende legitimar determinados conceitos ou verdades (até então não explorados), mas o modo como os enunciados acontecem, permanecem, coexistem uns com os outros, se transformam, aparecem e desaparecem em práticas discursivas. As práticas para Foucault são regras de comportamento e é por meio do discurso que tais práticas são concebidas. “(...) é o discurso que constitui a prática”.
A lógica dos saberes não é estável; as lógicas se rompem e são ressignificadas produzindo novos saberes e “(...) o que interessa, para Foucault, são as condições da experiência real e não as de toda experiência possível” (VEIGA-NETO, 1995). Cada lógica de sua época legitima certos domínios (práticas de verdades), estes domínios não podem ser considerados universais. Para Foucault (em A Ordem do Discurso) a vontade de verdade tem sobre si um suporte institucional, sendo ao mesmo tempo reforçada e reconduzida por um conjunto de práticas. “Mas ela também é reconduzida (...) pelo modo como o saber é aplicado em uma sociedade” (1970: 17). Essa vontade de verdade tende a exercer sobre os demais discursos uma pressão, coerção.
Em A Microfísica do Poder, Foucault coloca que as descobertas cientificas não são meras descobertas, mas um novo regime no discurso e no saber que representam descontinuidades e rupturas, novas construções que causam novos efeitos “O que está em questão é o que rege os enunciados e a forma como estes se regem entre si para constituir um conjunto de proposições aceitáveis cientificamente (...)” (1977, p.5). Por isso que, para ele, a ciência deve ser considerado um discurso histórico que não está em processo, mas é passível de mudanças e desconstruções. Os enunciados devem se articular para construir um conjunto de proposições aceitáveis cientificamente.
(Mônica Valéria)
P.S.: ESSA COR FOI UTILIZADA EM HOMENAGEM A TATY!!!
pant
Há 9 anos


Nenhum comentário:
Postar um comentário