quarta-feira, 28 de abril de 2010

Construção do Estado Moderno, Roger Chartier

Com o advento da modernidade ascende um novo modelo de governo monárquico e absolutista disposto a promover segurança, ordem, direito a propriedade. Com o crescimento das cidades e do comércio aumentavam as discussões e participação política. Roger Chartier em “Construção do Estado moderno” propõem a análise desta construção a partir dos monopólios fiscais (que centralizavam o imposto e permitiam ao soberano retribuir aos seus servos em dinheiro e não em terras) e militares (que atribuíam força militar ao Rei tornando-o senhor e podendo utilizar-se da violência para pacificar a sociedade). Segundo Chartier o Estado pode ser interpretado através do simbolismo expresso em cerimônias, gestos e ritos que legitimam o poder do Rei, manipulando a sociedade através dos discursos. “O Estado moderno entre os séculos xiii e xvii tem de estar sempre a reiterar a sua legitimidade, a reafirmar a sua ordem, a representar o seu poder. Para tal, actua em três registros diferentes (...): a ordem dos discursos, a ordem dos signos e a das cerimônias.” (Chartier, 1990, p. 225).
O Estado é que comanda a vida dos indivíduos, e estes devem lhe obedecer ou, do contrario, serão considerados loucos, devassos, violentos, e deverão ser punidos de forma severa, exterminados pois corrompem o ideal de perfeição desejado pelo mesmo. Como punição os indivíduos podiam ser presos ou agredidos fisicamente e até mortos. Nestas práticas a confissão era usada como um ritual de confidência, estratégia do Estado para controlar a vida dos indivíduos. Foucault enfatiza a necessidade de se resgatar as histórias de vida destes indivíduos excluídos pela prepotência absolutista. “Vidas que são como se não tivessem existido, vidas que não sobrevivem senão do choque com um poder que mais não quis que aniquilá-las, ou pelo menos apagá-las (...)”. (Foucault, 1977, p. 102). Foucault propõe o estudo dessas existências, o sentido dessas vidas breves e excluídas, sufocadas pelo Estado e nomeadas como monstros, malucos, diferentes, personagens miseráveis que ameaçavam a soberania monárquica.
Em meio às mudanças decorrentes deste novo período de evolução o individuo moderno passa a se organizar de forma racional, conforme as exigências do Estado, este exerce soberania sobre os indivíduos que se tornam seus súditos. O domínio da escrita é uma das exigências deste Estado como forma de registro histórico e de identificação (afirmação das identidades através de documentos), agora as confissões passam a ser escritas, não só estas como também queixas, denúncias, inquéritos e etc. para que possam ser melhor analisados.
O papel que na Id Media era desempenhado pela Igreja passa a ser propagado pelo Estado, mas este conta com o apoio da Igreja para desempenhar seus projetos. A Igreja não é mais vista como protetora universal, mas como uma construção humana e, portanto, ela não salva e não rege mais a vida de todos os homens. Não que este “novo” homem não reconheça a importância da mesma, ela apenas não influi mais todos os setores da sociedade.
(Mônica Valéria)

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