quarta-feira, 28 de abril de 2010

Utopia e sua significação

No início da modernidade Thomas Morus inventou o termo “utopia” para criar sua concepção do termo, sendo ela retirada de duas palavras gregas: eutopia, que significaria um “lugar bom”, e outopia, com o significado de “em lugar nenhum”. Sua sociedade perfeita existia na ilha de Utopia em algum lugar ao ocidente. Na imaginação de Morus, o lugar ao ocidente, estava relacionado a descobertas de novos mundos (e suas tranformações, como o advento do mercantilismo). Tratava-se de um lugar perfeito onde não existiam os problemas por que passava a Inglaterra de Morus ( sua elaboração era uma forte crítica a sociedade da qual ele fazia parte). Segundo Zygmunt Bauman, para que a utopia nasça, é preciso duas condições. A primeira é a forte sensação (ainda que difusa e inarticulada) de que o mundo não está funcionando adequadamente e deve ter seus fundamentos revistos para que se reajuste. A segunda condição é a existência de uma confiança no potencial humano à altura da tarefa de reformar o mundo, a crença de que "nós, seres humanos, podemos fazê-lo", crença esta articulada com a racionalidade capaz de perceber o que está errado com o mundo, saber o que precisa ser modificado, quais são os pontos problemáticos, e ter força e coragem para extirpá-los. Em suma, potencializar a força do mundo para o atendimento das necessidades humanas existentes ou que possam vir a existir.

Bauman propõe uma reflexão sobre o imaginário da utopia no passado e o que ela ainda representa no mundo contemporâneo. Para tal ele se utiliza de metáforas de três personagens: o guarda-caça, o jardineiro e o caçador. O guarda-caça refere-se a uma postura pré-moderna em relação ao mundo. Antes da modernidade o guarda-caça baseava-se na crença de que o mundo não passava de uma cadeia divina de seres em que cada criatura tinha seu lugar útil e legítimo, mesmo que a capacidade mental humana fosse demasiadamente limitada para compreender a sabedoria, a harmonia e o caráter ordenado do projeto divino. A do jardineiro está mais relacionada a uma cosmovisão identificada com a modernidade, século XVI. O jardineiro não assume que não haveria ordem no mundo, mas que ela depende da constante atenção e esforço de cada um. Os jardineiros sabem bem que tipos de plantas devem e não devem crescer e que tudo está sob seus cuidados. Ele idealiza projetos que resultem em melhorias futuras. Já a do caçador se identifica com o tempo de incerteza que vivemos na contemporaneidade. A principal tarefa do caçador é defender os terrenos de sua ação de toda e qualquer interferência humana, a fim de defender e preservar, por assim dizer, o “equilíbrio natural”. A ação do caçador se sustenta na crença de que o mundo é um sistema divino em que cada criatura tem seu lugar legítimo e funcional. Portanto pode-se gastar os recursos porque estes são autorenováveis. Segundo Bauman, estamos vivendo hoje como caçadores, nos preocupando apenas conosco (o que se chama de “individualização”). Sendo necessário que tentemos nos espelharmos em jardineiros para que possamos modificar nossas ações. Portanto as pessoas com “consciência ecológica” servem como alerta para todos nós porque se a utopia está chegando ao fim é porque o caçador está assumindo todas as posições.

A ideia de progresso foi transferida da ideia de melhoria partilhada para a de sobrevivência do indivíduo. O progresso é pensado não mais a partir do contexto de um desejo de corrida para a frente, mas em conexão com o esforço desesperado para se manter na corrida. O segredo é se manter no ritmo com as ondas e isso é algo que choca as identidades pois para acompanhar a velocidade das mudanças é necessário que se abra mão dos valores próprios em favor da obtenção de novos valores postos pela sociedade. A sociedade atual é marcada pelo medo, pela insegurança, causando vítimas. Nos tempos em que vivemos, a palavra utopia passou a ser relacionada com o fantasioso, fantástico, irrealista, irracional. Bauman coloca que a utopia hoje está relacionada ao mundo do consumo, à competitividade típica dos caçadores que somos e é associada a nome de cosméticos, agencias e etc.É preciso que haja uma conscientização humana, que voltemos nossa ambição individual para o aspecto coletivo, no sentido de nos beneficiarmos em comunhão com o próximo – devemos lutar contra nosso próprio ego em nome do bem comum. Que percebamos o progresso como um projeto de alteridade onde seja possível pensarmos em nós e no próximo. Isso seria, para Bauman, utopia.

(Mônica Valéria)

Pós-modernidade

O autor Jair Ferreira dos Santos em seu texto "O que é pós-modernidade?" defende que o mundo está vivenciando uma nova época de mudanças, que teve início a partir de 1950 com a arquitetura e a computação e que vai se expandindo a partir dos anos 60. O fantasma pós-moderno estaria circulando o cotidiano, invadindo a vida das pessoas através da tecnologia eletrônica atingindo a arquitetura, a economia (voltando a sociedade para o consumo), a arte (ultrapassando a seriedade da arte moderna), a filosofia (a filosofia moderna clássica vê o sujeito como a base para a verdade, já a filosofia contemporânea desconfia da possibilidade de ser ter um sujeito definido e começa a questionar as teorias da verdade, que saem do campo realista. É como se a verdade não tivesse mais um apoio fixo; desmancham-se os valores universais).
A pós-modernidade marca a celebração de uma era tecnológica, onde os velhos valores tinham também chegado ao fim. Ocorre um rompimento com os ideais tidos pelos modernos como universais; o homem pós-moderno foge dos sonhos, das ilusões e se entrega ao presente, ao agora. Agora as grandes narrativas (meta-narrativas) deixam de ter a credibilidade que tinham. O mundo aparece super-recriado, as cores hiper-realizam o mundo fascinando as pessoas através da simulação, fazendo da vida um espetáculo, fragmentada em imagens, signos, dígitos, o simulacro emerge intensificando o real. O individualismo toma conta do sujeito pós-moderno. As velhas identidades estão em declínio, novas identidades estão surgindo, fragmentando o indivíduo pós-moderno, este é plural, eclético, aberto às possibilidades, livre (segundo Nietzsche, é preciso libertar a vida, os valores não são nem eternos, nem universais, nem transcendentes, nem metafísicos. São criações humanas). O pós-moderno pensa a crise/desconstrução da Razão e de todos os valores universais, outras lógicas possíveis.
(Mônica Valéria)

Foucault e o sujeito moderno

Em sua fase arqueológica Foucault investiga sobre os saberes na sociedade, analisando como as formações discursivas possibilitam o conhecimento. Seu instrumental de investigação apresentado é a Análise dos Discursos que ele batiza de Arqueologia. Trata-se de uma análise de como nos constituímos sujeitos do conhecimento (ser-saber). O sujeito pode ser assujeitado a alguém ou preso a sua própria identidade. O sujeito moderno não produz saberes, mas é um produto destes. Foucault investiga os discursos e suas descontinuidades para mostrar como as formas de poder emergem e como saber e poder se combinam no sujeito através do discurso (esse discurso gera tensões). O poder cria saberes e não apenas controla os indivíduos. Na verdade o poder não existe, o que existe são práticas ou relações de poder que são justificadas pelos discursos.
Na Arqueologia do saber o discurso é analisado na sua dispersão. O discurso não é sistemático como a ciência, seus elementos são dispersos, pois são constituídos com objetivos pragmáticos, ou seja, que usa a língua como forma específica de comunicação social interconectada com outras atividades não lingüísticas. “ A análise arqueológica busca, também, as articulações entre as práticas discursivas e toda a outra ordem de coisas que se pode chamar de práticas não discursivas (...)” (VEIGA-NETO, 1995, p.48).
A arqueologia não pretende reunir elementos da memória coletiva, é contrário às sínteses históricas e às continuidades das grandes descrições históricas pois as construções históricas são passiveis de mudança. “(...) o filósofo se identifica com o pensamento pós-moderno, em que se enfraqueceram sobremaneira as tentativas de totalização, na medida em que a própria noção de totalidade foi abandonada”. (VEIGA-NETO, 1995, p.18). Foucault Desconstrói a ideia de uma obra total, fazendo-se favorável à pesquisa de fragmentos contidos em determinados discursos. Dessa forma o “método” de Foucault se fundamenta em descontinuidades, ele rompe a lógica, as diferenças e as dispersões para tentar recuperar a episteme do passado. A lógica dos saberes não é estável; as lógicas são quebradas e adquirem novos sentidos, produzindo novos saberes. A descontinuidade arqueológica não é a negação do problema do sujeito e nem a recusa da história, mas o questionamento de uma história do sujeito. Foucault demonstra que, antes dos discursos, o sujeito é apenas uma posição ocupada por aquele que enuncia algo (uma função do discurso). Para Foucault uma perspectiva linear, portanto, é incapaz de apreender a natureza do problema que interessa: as múltiplas rupturas, continuidades e descontinuidades do processo histórico. Ao rejeitar a linearidade das mudanças históricas, ele evidencia as transformações discursivas que possibilitam novas regras de enunciação. A arqueologia mostra que as condições de possibilidade de uma determinada história (concebida no nas transformações discursivas) não dependem de um sujeito.
O termo a priori histórico, que Foucault utiliza em Arqueologia do Saber, não pretende legitimar determinados conceitos ou verdades (até então não explorados), mas o modo como os enunciados acontecem, permanecem, coexistem uns com os outros, se transformam, aparecem e desaparecem em práticas discursivas. As práticas para Foucault são regras de comportamento e é por meio do discurso que tais práticas são concebidas. “(...) é o discurso que constitui a prática”.
A lógica dos saberes não é estável; as lógicas se rompem e são ressignificadas produzindo novos saberes e “(...) o que interessa, para Foucault, são as condições da experiência real e não as de toda experiência possível” (VEIGA-NETO, 1995). Cada lógica de sua época legitima certos domínios (práticas de verdades), estes domínios não podem ser considerados universais. Para Foucault (em A Ordem do Discurso) a vontade de verdade tem sobre si um suporte institucional, sendo ao mesmo tempo reforçada e reconduzida por um conjunto de práticas. “Mas ela também é reconduzida (...) pelo modo como o saber é aplicado em uma sociedade” (1970: 17). Essa vontade de verdade tende a exercer sobre os demais discursos uma pressão, coerção.
Em A Microfísica do Poder, Foucault coloca que as descobertas cientificas não são meras descobertas, mas um novo regime no discurso e no saber que representam descontinuidades e rupturas, novas construções que causam novos efeitos “O que está em questão é o que rege os enunciados e a forma como estes se regem entre si para constituir um conjunto de proposições aceitáveis cientificamente (...)” (1977, p.5). Por isso que, para ele, a ciência deve ser considerado um discurso histórico que não está em processo, mas é passível de mudanças e desconstruções. Os enunciados devem se articular para construir um conjunto de proposições aceitáveis cientificamente.

(Mônica Valéria)

P.S.: ESSA COR FOI UTILIZADA EM HOMENAGEM A TATY!!!

Construção do Estado Moderno, Roger Chartier

Com o advento da modernidade ascende um novo modelo de governo monárquico e absolutista disposto a promover segurança, ordem, direito a propriedade. Com o crescimento das cidades e do comércio aumentavam as discussões e participação política. Roger Chartier em “Construção do Estado moderno” propõem a análise desta construção a partir dos monopólios fiscais (que centralizavam o imposto e permitiam ao soberano retribuir aos seus servos em dinheiro e não em terras) e militares (que atribuíam força militar ao Rei tornando-o senhor e podendo utilizar-se da violência para pacificar a sociedade). Segundo Chartier o Estado pode ser interpretado através do simbolismo expresso em cerimônias, gestos e ritos que legitimam o poder do Rei, manipulando a sociedade através dos discursos. “O Estado moderno entre os séculos xiii e xvii tem de estar sempre a reiterar a sua legitimidade, a reafirmar a sua ordem, a representar o seu poder. Para tal, actua em três registros diferentes (...): a ordem dos discursos, a ordem dos signos e a das cerimônias.” (Chartier, 1990, p. 225).
O Estado é que comanda a vida dos indivíduos, e estes devem lhe obedecer ou, do contrario, serão considerados loucos, devassos, violentos, e deverão ser punidos de forma severa, exterminados pois corrompem o ideal de perfeição desejado pelo mesmo. Como punição os indivíduos podiam ser presos ou agredidos fisicamente e até mortos. Nestas práticas a confissão era usada como um ritual de confidência, estratégia do Estado para controlar a vida dos indivíduos. Foucault enfatiza a necessidade de se resgatar as histórias de vida destes indivíduos excluídos pela prepotência absolutista. “Vidas que são como se não tivessem existido, vidas que não sobrevivem senão do choque com um poder que mais não quis que aniquilá-las, ou pelo menos apagá-las (...)”. (Foucault, 1977, p. 102). Foucault propõe o estudo dessas existências, o sentido dessas vidas breves e excluídas, sufocadas pelo Estado e nomeadas como monstros, malucos, diferentes, personagens miseráveis que ameaçavam a soberania monárquica.
Em meio às mudanças decorrentes deste novo período de evolução o individuo moderno passa a se organizar de forma racional, conforme as exigências do Estado, este exerce soberania sobre os indivíduos que se tornam seus súditos. O domínio da escrita é uma das exigências deste Estado como forma de registro histórico e de identificação (afirmação das identidades através de documentos), agora as confissões passam a ser escritas, não só estas como também queixas, denúncias, inquéritos e etc. para que possam ser melhor analisados.
O papel que na Id Media era desempenhado pela Igreja passa a ser propagado pelo Estado, mas este conta com o apoio da Igreja para desempenhar seus projetos. A Igreja não é mais vista como protetora universal, mas como uma construção humana e, portanto, ela não salva e não rege mais a vida de todos os homens. Não que este “novo” homem não reconheça a importância da mesma, ela apenas não influi mais todos os setores da sociedade.
(Mônica Valéria)

domingo, 25 de abril de 2010

Uma sociedade pós-moderna com preceitos cristalizados no contexto escolar.*

Mônica Valéria**
Tatiana Santos***


Resumo

Este trabalho tem por objetivo discutir o bullying, enquanto manifestação de violência, e suas consequências tanto para o ambiente escolar quanto para o ambiente social e doméstico. Considerando a realidade escolar atual e seus desafios, refletimos sobre o problema da violência na escola e o papel do professor diante desses novos conflitos. Partimos das discussões realizadas em sala de aula e de textos diversos para analisarmos como se constitui o universo da violência no contexto da escola e como o bullying vem se tornando cada vez mais presente na sociedade.

Palavras-chave: Bullying. Violência. Ambiente escolar. Professor

Uma sociedade pós-moderna com preceitos cristalizados no contexto escolar.


Tocar no assunto violência é permear por largos horizontes. Historicizar tal tema é perceber que o mesmo é um processo que acompanha a humanidade gradativamente e tem se intensificado cada vez mais nos últimos tempos

A origem da violência humana tem sido estudada por muitos sociólogos e historiadores, que vêem na escassez de bens e fonte maior de conflito entre os homens. Para esse estudioso, entre os quais estão Hobbes, Rousseau, Marx e Engels, a origem dos conflitos e da violência remonta às organizações humanas mais primitivas.
(Costa 1997, p. 283),

Nesse universo da violência e suas diversas manifestações, analisamos em especial o bullying e como este se constitui enquanto algo agressivo e negativo, principalmente no ambiente escolar.
O Bullying é um tipo de violência que se disfarça na forma de “brincadeira”, manifestando-se indiretamente e causando constrangimentos às vítimas e por isso foi considerado durante muito tempo inofensivo. Mas ultimamente este assunto tem ganhado bastante relevância e passou a ser percebido como algo que pode acarretar sérias conseqüências ao desenvolvimento psíquico dos alunos, gerando desde queda na auto-estima até, em casos mais extremos, o suicídio. Portanto não deve ser encarado como brincadeira de criança. Utilizamos como ponto de partida para essa discussão a autora Sônia Maria de Souza Pereira em seu texto “Bullying e suas implicações no ambiente escolar”. A autora cita Fante (2005) para dizer que o bullying tem grande poder destrutivo, ferindo a “alma”, dessa forma ele afeta diretamente o psicológico da pessoa, causando danos que podem ser irreparáveis. Abordamos aqui o bullying no ambiente escolar, entretanto ele não acontece apenas na escola, mas em todos os ambientes onde há relações interpessoais: escola, ambiente de trabalho, família, igreja, tribos, estabelecimentos comerciais, hospitais e etc.
O que se entende por bullying são atitudes agressivas - físicas ou psicológicas - intencionais e repetidas praticadas por um ou mais alunos contra outro como: chutar, empurrar, apelidar, discriminar e excluir, que ocorrem entre colegas sem motivação evidente e repetidas vezes. Quando um grupo de alunos ou um aluno com mais força vitimiza outro que não consegue encontrar um modo eficaz para se defender. Os estudantes que são alvos de bullying sofrem esse tipo de agressão “sistematicamente”, explica o médico Aramis Lopes Neto, coordenador do primeiro estudo feito no Brasil a respeito desse assunto “Diga não ao bullying: Programa de Redução do Comportamento Agressivo entre Estudantes”, realizado pela Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e Adolescência (Abrapia). Segundo Aramis, “para os alvos de bullying, as conseqüências podem ser depressão, angústia, baixa auto-estima, estresse, absentismo ou evasão escolar, atitudes de autoflagelação e suicídio, enquanto os autores dessa prática podem adotar comportamentos de risco, atitudes delinqüentes ou criminosas e acabar tornando-se adultos violentos”. De acordo com Aramis, o bullying apresenta caráter repetitivo e intencional, sem que haja motivos aparentes, demonstrando uma relação desigual de poder, causando dor e humilhação.
“Para o agressor, os atos de bullying são divertidos porque humilham a pessoa vitimada (...). O agressor se sente bem, pois para sua turma ele é “o poderoso”.” (PEREIRA, 2009, p. 32).

Na maioria das vezes a vítima aceita todo o seu sofrimento sem dizer nada a ninguém, porém se transforma em uma pessoa triste, constantemente deprimida e sem perspectivas de lutar pelos seus direitos - nesse caso, ela poderá até optar pelo suicídio. Talvez guarde essa mágoa durante anos e de repente, em um momento de explosão, invada sua escola atire nos colegas e em quem atravessar seu caminho, passando da condição de vítima para agressor. Pode ser também que a vítima não consiga reproduzir seus maus tratos ao seu agressor, mas o fará assim que encontrar uma pessoa mais fraca do que ela, estabelecendo assim o tão temido círculo vicioso do Bullying.
É importante ressaltar que o Bullying, não é praticado apenas por alunos e entre alunos. Conforme foi dito anteriormente, ele se traduz em todas as relações desiguais de poder em que um dos agentes sejam ridicularizados ou sofram qualquer tipo de agressão. Portanto, no ambiente escolar, pode acontecer também entre alunos e professores - inclusive alguns alunos, além de praticar agressões físicas e verbais aos seus professores na escola - criam perfis em sites de relacionamentos visando ridicularizá-los ainda mais.
A partir do momento em que o Bullying começa a ser praticado gera situações de violência que podem se estender por toda a sociedade. É necessário que todos os envolvidos no processo educacional estejam atentos a este vilão que permeia a educação do século XXI e elaborem planos de ação em que valores como o respeito, amor, companheirismo e cidadania sejam constantemente abordados. Consequentemente os ambientes escolares que investirem nesses valores tão esquecidos em tempos atuais, estarão contribuindo para que a prática do Bullying venha a se extinguir de nossas escolas.
Diante disso, nota-se que a criança ou adolescentes que presencia a violência tem mais chances de absorvê-la, tornando-se parte daquele mundo violento, real à sua convivência por fazer parte do seu convívio tanto familiar quanto comunitário, o mesmo acaba seguindo uma postura igual, na maioria das vezes, tornando-se produto da violência que o cerca.
No Estado da Paraíba os debates de eixos temáticos como direitos humanos, solidariedade, o saber falar e ouvir, alteridade, e a questão de identidade vêm tomando força, em especial no município de Campina Grande, por ser uma cidade universitária entende-se que deva discutir com mais afinco todas essas questões problematizadoras, buscando soluções apaziguadoras.
Por outro lado, essas agressões são evidenciadas como um fenômeno real que recrudesce com a miséria, desigualdades sociais e também com a falta de oportunidades aos jovens, todavia não deve ser entendido como de ordem socioeconômico, “mas cultural e psicossocial”, para que assim isso não passe a ser uma justificativa de ferir e magoar o individuo. Também é pertinente ressaltar a importância da formação inicial e continuada do professor para que ele saiba como agir em determinadas situações. Mas o fator determinante é a ação conjunta entre o psicólogo, o professor, o assistente social e a família do aluno pois a realidade escolar do aluno não pode ser dissociada do seu cotidiano. Para quem é vítima de algum desses tipos de humilhação, a saída é “se abrir”, ou seja, procurar ajuda, começando pelos próprios pais. A família deve estar atenta para o que acontece na escola, ao que se passa no ambiente escolar do seu filho:
“Portanto, sendo a família umas das principais instituições de educação, cabe a ela investir nos jovens, incumbindo-lhes o respeito ao próximo e a não violência.” (PEREIRA, 2009, p. 53)
E quem tem um filho passando por esse problema precisa mostrar-se disponível para ouvi-lo. Nunca se deve aconselhá-lo a revidar a agressão; mas, sim, esclarecer que ele não é culpado pelo que está acontecendo. Também é fundamental entrar em contato com a escola. É imprescindível a escola estar atenta a reconhecer os casos de violência, assim “preparar” seu efetivo, a exemplo ter um programa preventivo anti bullying, mesmo encontrando empecilhos para a concretização do mesmo.
Talvez um dos pontos que o educador deveria focar é na conscientização sobre os diversos tipos de identidades. Dentre outras temáticas essa deve ser prioridade no programa da instituição e não só do professor. A questão de identidade é muito forte tendo um papel fundamental no desenvolvimento do individuo e na educação, sobre isso, Stuart Hall diz que a identidade:
“não pode mais ser estudada como uma variável sem importância, secundária ou dependente em relação ao que faz o mundo mover-se; tem de ser vista como algo fundamental, constitutivo, determinando tanto a forma como o caráter deste movimento, bem como sua vida interior”. (Hall,1997, p. 23)

Então uma identidade bem firmada é o passaporte para uma vida segura e cheia de idéias concreta, mas isso é uma construção que só o cotidiano ajuda a “inventar”, assim ela constitui um passaporte para o adulto aceitar e tolerar o outro e entender o ambiente que está inserido. Ela deve ser sim analisada sempre, pois é uma discussão que se insere em qualquer contexto, além que muito rica sempre com ponto inovador, o educador deve estar atento a essas inovações e buscar meios para fundamentar e saber como passar isso para os educando de maneira simples não que leve a uma reflexão mais ampla de tais atos. Enquanto educadores, devemos estar aberto às várias possibilidades, às transformações culturais existentes na sociedade e perceber que novas significações vão sendo atribuídas com o passar do tempo, assim como as representações vão sendo ressignificadas.
“(...) à medida em que os sistemas de significação e representação cultural se multiplicam, somos confrontados por uma multiplicidade desconcertante e cambiante de identidades possíveis, com cada uma das quais nos identificar – ao menos temporariamente.” (HALL, 2006, p. 13)

É necessário que haja conscientização por parte do professor de que os alunos são sujeitos pensantes, singulares e que esses sujeitos têm sensibilidades distintas e adquirem novos valores através da troca de experiências. Portanto cabe ao professor fazer sua parte na tentativa de utilizar o conhecimento em favor de uma educação efetiva para que os alunos reflitam sobre seus atos e percebam a importância do respeito, enquanto atividade recíproca.
Uma identidade bem construída é passaporte para uma vida segura e cheia de idéias concretas, mais isso é uma construção que só o cotidiano ajuda a “inventar”, uma identidade bem firmada serve de identificação para o adulto, para ele aceitar e tolerar o outro e entender o ambiente que está inserido e de forma alguma ferir o direito do outro. A nossa realidade é complexa e distante do que almejamos, mas depende de cada um de nós buscarmos viver da melhor forma possível, respeitando o lugar do outro.
As marcas deixadas pelo bullying podem repercutir para o resto da vida das vítimas, adentrando duas identidades e fixando terror em suas vidas. A internet se tornou meio de propagação dessa violência, mas também atua como veiculo de informação e conscientização através de sites de esclarecimentos, onde é discutido o bullying e suas causas e consequencias para a sociedade. Retiramos de alguns sites informativos, que em muito têm contribuído para alertar sobre o perigo do bullying, alguns depoimentos de familiares, amigos e até das próprias vitimas do bullying:

Depoimentos sobre o bullying

“Será que seremos vitimas pra sempre?
Refleti muito antes de escrever esse tópico, porque acho delicado o assunto, mas necessário. Eu observo que muitas pessoas aqui passaram pelo que passei e isso ainda as machuca consideravelmente, como durante anos me machucou. Porem, uma frase de Sartre serviu como vértice para uma nova direção: Não importa o que o mundo faz com você, o que importa é o que você faz com que o mundo faz a você! E essa a pergunta que levanto aqui: Se um dia sairemos da postura da tristeza e do desabafo e passarmos a assumir a historia do Bullying em nossas vidas, mas nos recusarmos a carregar o rotulo. Sim, hoje eu tenho 30 anos e sofri bullying, mas me recuso a carregar esse rotulo. Eu sou eu, isso fez parte da minha historia, mas eu não terminei nela. As coisas que realizo em minha vida são tão maiores, que eu sei que a galerinha que fez isso comigo não chegaram tão longe n vida como eu cheguei.
Essa é uma mensagem de esperança. Desejo que todos como eu, arrisquem a serem mais e não deixar que esse acontecimento os rotule e direcione a vida de vocês. Desejo que vocês sejam maiores. Mas pra isso é necessário um primeiro triunfo, que é o triunfo sobre si mesmo. Levantem a cabeça e não sintam vergonha de vocês. Não se isolem dos outros, não se deixem intimidar. Pensem em pessoas que sofreram coisas piores na vida e seguiram em frente. Eu sei que Bullying traz sérios problemas psicológicos, mas infelizmente ainda somos nos quem resolvemos se vamos continuar vivendo essa historia e deixando que ela nos influencie ou se vamos nos permitir construir uma outra.
Bjos a todos e espero que compreendam o que quero dizer. Não importa o que a galerinha pop pensa de voce. O que eles vão ser daqui há 20 anos? A maioria ninguém como ninguém, nesse mundo de ninguém.” (Anônimo, retirado da comunidade no orkut “Bullying, as marcas ficam”)

“Sim, eu sempre fui vítima de bullying na escola e já fui vítima na internet também. Mas Um dia eu espero que esse canalhas, filhos da **** aprendam uma lição e eles nunca mais vão fazer isso!!!” (Renata – Campina Grande- PB/ 01/01/2010)
“Minha sobrinha de 5 anos está na pré-escola, sofre com bullying, a outra coleguinha já foi identificada, mas a professora sabe mas não fez nada para coibir essas agressões, minha sobrinha tem baixa auto-estima com leve depressão, preciso de ajuda como chegar na escola sem pular hierarquia e fazer uma reclamação, e quais os orgãos competentes posso estar procurando para comunicar que este tipo de agressão possa parar, por favor entre em contato por e-mail, está sendo difícil ver a minha sobrinha sofrer em silencio. Agradeço desde já.Obrigada.” (Dênia - Cubatão/SP / 12/11/2009)
“Desde o ano passado meu filho reclamava da diretora da escola dizendo que ela fazia todos os outros alunos rirem dele, entre outras coisas. Ano passado ele tinha 4/5 anos, como estava numa mudança de professora, pois passou do jardim2 para o 3, achei que o seu mal comportamento na escola, inclusive suas queixas contra a diretora não eram reais. Porém, nesse ano, seu comportamento continuou sendo muito ruim, embora ele tenha deixado de falar dos abusos sofridos, chegou até a xingar a diretora e começou a ter medo de ficar sozinho em algum ambiente. Até que no final de agosto recebemos uma ligação anônima dizendo que ele vinha sofrendo maus tratos na escola e que não era de hoje. Fiquei muito mal, deprimida e me sentindo a pior mãe do mundo por não ter acreditado nele! Agora ele está estudando em outra escola, começou a frequentar a psicóloga indicada pela nova escola. Gostaria de ajuda para saber o que fazer daqui pra frente.”( Mirian - Rio de Janeiro/RJ / 30/09/2009)

“Tenho uma amiga que já sofreu o bullyng e acho q esse assunto devia ser mais abordado nas escolas onde ocorre mais desses casos” (Taiane Tencatti – João Pessoa PB 05/10/2009)
Dessa forma entendemos que é extremamente importante que se invista nas campanhas contra a violência em todos os sentidos, desde a doméstica que ainda é muito presente na sociedade, até a escolar, para que tenhamos uma sociedade mais harmoniosa, onde haja respeito à alteridade. O bullying é um problema de todos nós.


Referência Bibliográfica:

PEREIRA, Sônia Maria de Souza.Bullying e suas implicações no ambiente escolar. São Paulo: Paulus, 2009, p. 29-61
HALL, Stuart. A identidade cultural na pós- modernidade. Trad. Tomáz Tadeu da Silva e Guacira Lopes Louro. Rio de Janeiro: DP &A. 1997. 7ª ed. ou reimpressão
http://www.brasilescola.com/sociologia/bullying.htm
http://revistacrescer.globo.com/Revista/Crescer/0,,EMI16129-15151,00.html
http://www.mp.pb.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=246%3Amp-debate-bullying-com-diretores-de-escolas-de-campina-grande&catid=44%3Ainfancia&Itemid=69

* Atividade exigida na disciplina de Estágio Supervisionado I, ministrada pela professora Patricia Aragão no ano de 2009.2.
** Aluna graduanda do curso de História na UEPB. E-mail: valeriamonica88@hotmail.com
***Aluna graduanda do curso de História na UEPB. E-mail: taty1.cg@hotmail.com

domingo, 18 de abril de 2010

POR UMA APRENDIZAGEM INOVADORA: O USO DAS NOVAS TECNOLOGIAS NO PROCESSO DE ENSINO

RESUMO

A aprendizagem é muito importante para o Ser Humano, pois a partir dela se sabe ler e escrever para qualquer atividade na vida. E essa aprendizagem vem se desenvolvendo ao passar dos séculos, sendo adaptada sempre as inovações do tempo para que se aprenda ainda mais. E como estamos em um mundo praticamente tecnológico, não seria de forma alguma inútil o uso dos meios tecnológicos no processo de ensino, até porque são eles que têm repercutido na vida de todos, especificamente os jovens, e feito com que o uso seja cada vez maior por parte dessa faixa etária. Assim, nosso objetivo é discutir as inovações tecnológicas que tem surgido não apenas de uma forma de entretenimento, uso pessoal ou como mais uma invenção moderna, mas fazer com que esses mesmos possam ser usados de uma forma pedagógica para que o processo de ensino além de se tornar mais de uma forma dinâmica e de fácil aprendizado, seja uma nova ferramenta para o professor usar tanto na sua disciplina, como também para ensinar sobre a maneira de se viver com o outro.

PALAVRAS-CHAVE: Aprendizagem. Novas Tecnologias. Processo de Ensino.

AUTORES: KELLYSSON ALVES (1)

EZEQUIEL CAVALCANTI (2)


OBS: (1) Graduando em Licenciatura Plena de História pela UEPB. E-mail: kellyssonalves@hotmail.com

(2) Graduando em Licenciatura Plena de História pela UEPB. E-mail: ezequiel-cavalcanti@hotmail.com